sexta-feira, 25 de agosto de 2023
Instalação "Viver", na Mata dos Medos
terça-feira, 25 de julho de 2023
Pinhal do Rei ou Mata dos Medos da Caparica
A Mata dos Medos situa-se na plataforma superior da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, nos concelhos de Almada e Sesimbra, ocupando uma faixa de 5 km ao longo da costa ocidental da península de Setúbal, perfazendo uma superfície de 338 hectares.
Terá sido mandada instalar pelo rei D. João V, entre 1689 e 1750, para impedir o avanço das dunas ou medos1 para as terras agrícolas. É atualmente o grande pulmão do concelho de Almada.
Foi classificada como Reserva Botânica em 1971, pelo decreto-lei n.º 444 771 de 23 de outubro, devido à riqueza florística apresentada. A mata apresenta grande riqueza e diversidade de espécies características do ecossistema de pinhal.
Estão assinalados três endemismos lusitânicos e quinze ibéricos de elevado valor botânico.
É uma extensa área de pinhal, com pinheiros centenários e uma reserva botânica com espécies autóctones. O rosmaninho, a aroeira, a sabina-da-praia e o tomilho são alguns dos exemplares da flora que podemos facilmente encontrar.
Na fauna ainda existente, apesar da forte pressão urbanística, persistem algumas rapinas como a águia-de-asa-redonda, o açor, o peneireiro-cinzento e o peneireiro vulgar, bem como alguns exemplares noturnos, como o mocho-galego e a coruja das torres. A lebre, o ouriço-cacheiro, a toupeira e ainda a raposa, o toirão, a geneta e o gato-bravo completam a lista da avifauna presente no maciço verde.
Algumas espécies de aves migratórias escolhem também a Mata dos Medos para nidificação. Durante todo o ano residem no pinhal o pica-pau-malhado-grande, a alvéola-branca, a poupa, o cuco, o pintassilgo, o pisco-de-peito-ruivo, o melro, a perdiz-comum, a pega-rabuda e a gralha.
Os anfíbios e os répteis estão também bem representados neste ecossistema costeiro.
Na Mata dos Medos, como em muitas zonas protegidas de elevado interesse ambiental, estão previstos projetos que são alvo de várias críticas por parte de organizações ambientalistas do nosso país. Estas são zonas muito sensíveis que devem ser protegidas, as intervenções nelas realizadas têm de ser bem ponderadas, estudadas e avaliadas, sobrepondo-se a quaisquer interesses economicistas.
O investimento em programas de sensibilização da população permanente e sazonal deverá ser uma prioridade, para que se atribua mais valor à riqueza intrínseca que estas zonas representam. A Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica é visitada anualmente por centenas de milhares de pessoas, principalmente na época estival, na procura da orla marítima e do usufruto das matas nacionais.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2023
PAREIDOLIA - 20 ANOS
O trabalho de Zito Colaço é uma intersecção fascinante entre a fotografia de natureza, a antropologia visual e a psicologia da perceção. O seu projeto focado em árvores é, talvez, a expressão mais pura de como o olhar humano tenta encontrar ordem e familiaridade no "caos" orgânico da floresta.
Para entender o trabalho de Zito Colaço, é preciso primeiro definir o fenómeno que ele explora: a pareidolia. Trata-se de um fenómeno psicológico onde o cérebro interpreta estímulos visuais vagos ou aleatórios como formas familiares, geralmente rostos ou figuras humanas/animais.
No contexto das árvores, Zito Colaço não se limita a registar a flora; ele procura "personalidades" esculpidas pelo tempo, pelo clima e pelo crescimento biológico.
O fotógrafo olha para os troncos, raízes e ramos não apenas como elementos botânicos, mas como esculturas dinâmicas. O seu trabalho destaca:
O detalhe das cascas que se assemelham a peles rugosas ou tecidos.
Antropomorfismo: A descoberta de braços que se elevam, torsos que se contorcem e, sobretudo, feições que parecem observar o espectador.
Espírito do Lugar (Genius Loci): As suas fotografias evocam frequentemente uma sensação de que a floresta é um lugar habitado por entidades ou guardiões silenciosos.
Zito Colaço utiliza frequentemente o preto e branco ou tonalidades de cor muito específicas para acentuar o contraste e as sombras. Esta escolha técnica é estratégica:
Ao remover a distração das cores vibrantes da folhagem, o foco recai totalmente sobre a forma e o volume.
O jogo de luz e sombra é o que permite que a pareidolia se manifeste com mais força, revelando profundidades que o olho comum, numa caminhada apressada, ignoraria.
O seu trabalho estabelece uma ponte entre o real e o imaginário. Ao revelar estas figuras "escondidas", Zito Colaço convida-nos a repensar a nossa relação com a natureza.Se a árvore tem um "rosto", torna-se mais difícil vê-la apenas como um recurso ou um objecto inanimado.
Exercitar a contemplação: A sua fotografia exige lentidão. É um exercício de paciência e de apuramento do olhar.
"As árvores de Zito Colaço deixam de ser paisagem para passarem a ser interlocutores."
O registo de pareidolia deste fotógrafo é um lembrete de que a beleza e o mistério não estão apenas no que vemos, mas na forma como decidimos interpretar o mundo ao nosso redor.





