segunda-feira, 21 de junho de 2021

2244 - O Ninho da Lua


O Ninho da Lua

Há noites em que o firmamento se torna demasiado vasto para uma solidão tão antiga. No olhar sensível de Zito Colaço, a Lua — essa eterna sentinela de prata — decide quebrar a sua distância milenar. Exausta de flutuar no vazio, ela desce, num suspiro de luz, para procurar na Terra o que o cosmos não lhe pode dar: um ninho.

Nas fotografias deste projeto, assistimos ao impossível tornado íntimo. A Lua não brilha apenas no céu; ela repousa. Encontra o seu berço entre os braços nodosos das árvores e o aconchego do musgo, revelando-se como uma hóspede frágil que pede silêncio e abrigo. Através da lente de Zito, o astro-rei da noite torna-se uma criança celestial que encontrou, finalmente, um lugar para fechar os olhos.

Este "Ninho" é a metáfora perfeita para a nossa responsabilidade. Se até a Lua precisa da Terra para se sentir segura, quão sagrado deve ser o solo que a acolhe? Zito Colaço transforma a paisagem num santuário de hospitalidade cósmica, onde os ramos das nossas matas se tornam dedos que embalam a luz, e o chão que pisamos se torna o refúgio do universo.

Ver estas imagens é aceitar um convite ao espanto. É compreender que a natureza não é apenas o cenário onde vivemos, mas o colo onde até os astros desejam habitar. No "Ninho da Lua", Zito recorda-nos que o céu e a terra não estão separados — estão apenas à espera de um olhar que saiba como os abraçar num só plano.

É uma obra sobre a ternura do invisível, uma prova de que, para quem sabe ver com o coração, a magia não está longe, nas estrelas, mas aqui mesmo, aninhada na curva de um ramo, à espera de ser cuidada.

Fotografias Zito Colaço























 Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica

Fotografias Zito Colaço

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