Era uma vez uma árvore chamada Kristin, uma bétula de casca tão branca que parecia feita de luar. Kristin tinha um segredo que as outras árvores da floresta densa e escura não compreendiam: ela sentia uma necessidade de conhecer novos horizontes que as suas raízes profundas não conseguiam tranquilizar. Enquanto as suas companheiras se orgulhavam da sua calma secular, Kristin passava as tardes a inclinar a copa na direcção do vento, tentando captar sussurros de lugares onde a terra terminava e o infinito começava. Ela adorava viajar através das histórias das aves migratórias, mas o seu coração de madeira sonhava com o toque de algo que as nuvens chamavam de mar.
Certa noite, o céu não se limitou a escurecer, ele transformou-se num oceano de eletricidade violeta e ventos que sopravam de direções que não existiam nos mapas. O chão tremeu com uma vibração mágica e, num estalo de luz, Kristin sentiu-se subitamente leve, como se a gravidade tivesse esquecido o seu nome. Ela não caiu, mas foi puxada por um redemoinho de pó estelar que a transportou através de um túnel de cores vibrantes, onde o tempo parecia correr para trás e para a frente ao mesmo tempo. Quando o turbilhão finalmente abrandou e a frescura da manhã a envolveu, Kristin sentiu uma textura completamente nova sob as suas raízes. Já não era a terra húmida e pesada da floresta, mas uma areia fina, quente e dourada que escorria entre as suas fibras como se fossem ouro.
Kristin tinha ido parar a outro lugar, um paraíso de praias infinitas onde o azul do céu se confundia com o azul do mar. Ela estava agora plantada sozinha numa duna alta, de frente para a imensidão do oceano que tantas vezes imaginara. O ar era salgado e quente, e o som constante das ondas a quebrarem na areia era a música que ela sempre quisera escutar. No início, os caranguejos e as gaivotas olhavam com espanto para aquela árvore de tronco prateado que não pertencia a este lugar, mas Kristin, com a sua alma de viajante, adaptou-se rapidamente. Ela aprendeu a balançar os seus ramos ao ritmo das marés e a refletir o brilho das águas nas suas folhas de prata, tornando-se um farol natural para quem navegava por aquele lugar.
A bétula que um dia teve medo de não conhecer o mundo era agora a árvore mais feliz do planeta. Ela percebeu que a sua viagem não tinha sido apenas um destino ou um capricho do vento, mas o encontro final com a sua verdadeira essência. Ali, entre a areia e o mar, Kristin já não precisava de perguntar às nuvens o que havia para além do mar, porque ela própria se tinha tornado parte da paisagem mais vasta que alguma vez ousara sonhar.
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