A Tenda que Só Queria Acampar
Era uma vez uma tenda feita de pano simples, forte e resistente ao vento. Ela não almejava tornar-se um palácio de pedra, nem um edifício alto de vidro reluzente. O seu único desejo era ser desdobrada sob as estrelas, sentir a brisa da noite e dar abrigo a quem a procurava para pernoitar.
Ela queria apenas acampar. Acampar em liberdade.
Mas, à medida que olhava ao seu redor, a tenda percebia que o mundo se tornara estranho. Vivemos na era de maior abundância, conforto e tecnologia da história da humanidade. Contudo, em vez de essa abundância trazer paz, a tenda via homens embriagados pelo exagero do poder e pelo acúmulo de riqueza, como se as pilhas de ouro ou as cercas mais altas lhes pudessem comprar uma felicidade eterna.
Na sua ganância de tudo controlar, esses homens começaram a ditar onde se podia pisar, onde se podia erguer abrigo e até como se devia pensar. Queriam limitar a terra e aprisionar o vento.
A tenda lembrava-se que aquela liberdade de estar ali não tinha sido de graça. Sabia que antepassados tinham derramado suor, lágrimas e sangue para conquistar o direito de andar de cabeça erguida, de escolher o próprio caminho e de contemplar o horizonte e um abrigo.
Ao ver a leveza da liberdade ser trocada pela ilusão da posse e pelo abuso de autoridade, a tenda percebeu que a verdadeira riqueza nunca esteve nas paredes de quem manda, mas sim na amplidão do espaço de quem é livre.