quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Resistentes ao Tempo - Mata Mediterrânica

RESISTENTES AO TEMPO

Palavras leva-as o vento. Ficam as imagens. Talvez nem elas, porque se as variantes fúnebres dos clássicos também são sombras, restam as memórias. Mas as memórias também não servem, só a vida, chamem-na panteísmo, com A-Theos ou sem A, porque só aquela resiste à erosão e vence a corrida do tempo. Diante do abismo, a Arriba Fóssil da Caparica recorda-nos os precipícios rumo à transcendência. Do oceano infinito, batido mar adentro, a pulsão primordial renasce na Mata dos Medos. A Mata Mediterrânica, de pinheiros mansos e natureza bravia, é o sopro do Finisterra. O silêncio.


A série RESISTENTES AO TEMPO tem como ponto de partida traçar um itinerário para que o espectador entre numa viagem pela Mata Mediterrânica através de um percurso imaginário que nos conduz pela área protegida da Arriba Fóssil da Caparica.

Da Resistência como pulsão primordial da natureza fascina-me este élan vitan presente na força pungente da Mata Mediterrânica, uma sobrevivente que lutou contra ventos e marés para chegar incólume até aos dias de hoje. Numa época de dificuldades sociais e económicas à escala global, interessa-me também a resistência das árvores como arquétipo a repercutir na civilização.

Interessa-me ainda a iconoclastia imagética deste transfinito em que através da resistência os elementos se metamorfoseiam num processo de corrente eléctrica. Do imago grego, é preciso ver além da máscara fúnebre para entender a essência das coisas. Não pelas coisas. Mas pelo que as enforma. Aquilo, além de toda a erosão. O silêncio, a força e a vida da mata. Ou, como alguém lhe chamou, depois das águas primordiais, a árvore da vida.

Texto Nuno Costa
Fotografias Zito Colaço


 























 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

FENÓMENOS DA NATUREZA NA SERRA DA ESTRELA (Artigo de Imprensa).


FENÓMENOS DA NATUREZA NA SERRA DA ESTRELA.

CORAÇÃO DE ÁRVORES E LAGARTO DE PEDRA EM MANTEIGAS

Quando alguém disser que esteve no coração da Serra da Estrela já não se trata de uma figura de estilo. Uma configuração com esta forma, a rondar os 370 metros de altura e 180 de largura, constituída por algumas dezenas de carvalhos foi recentemente descoberta pelo fotógrafo português Zito Colaço. As árvores encontram-se localizadas na encosta de São Gabriel, em Manteigas e quem quiser observar este fenómeno natural poderá fazê-lo a partir do miradouro das moitas perto do Poço do Inferno. Os caprichos criativos da mãe natureza não ficam por aqui, já que um lagarto em forma de pedra, situado atrás do miradouro apresenta-se como uma espécie de guarda oficial do coração. Foi à beira da estrada que serpenteia a serra que Zito Colaço fez mais esta descoberta durante um trabalho de recolha e investigação para os livros Árvores do Amor – As Árvores Misteriosas de Portugal e Pedras do Amor - As Pedras Misteriosas de Portugal.

Texto Nuno Costa
Fotografias Zito Colaço

Árvores do Amor - As Árvores Misteriosas de Portugal - Novo Blogue



Grandes, pequenas, formosas, circunspectas, imponentes ou frágeis. Dão, sem pedir nada. E
são, simplesmente. Respiram, respiram-nos e fazem respirar. Amam, amam-nos e fazem-nos
amar. Conta-se que um jovem cavaleiro  cansado de travar batalhas infindáveis e de desfecho
previsível refugiava-se na floresta. As árvores ouviam-no pacientemente e um dia decidiram
falar-lhe.
Amai-vos uns aos Outros
Como Nós Vos Amamos
Tomado de assalto pela revelação, o cavaleiro decidiu ali mesmo abandonar a carreira  militar
e dedicar-se a uma vida nova de aprendizagem com aquelas árvores sagradas.
Estamos certos de que todos teremos muito a aprender com o mistério das Árvores do Amor.
A nossa mensagem também é simples.
Amar-vores uns aos Outros
Como Elas vos Amam
Parece fácil. E é.
 
Fotografia Zito Colaço
Texto Nuno Costa
 
Árvores do Amor - As Árvores Misteriosas de Portugal

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Exposição de Fotografia no ESPAÇO FORTUNA em Palmela.

 
 
Exposição de Fotografia
Love Trees, Lost In The Trees e um cheirinho das Árvores do Amor - As Árvores Misteriosas de Portugal, de Zito Colaço, para ver de 12 de Julho a 12 de Setembro de 2013 no
Espaço Fortuna Artes e Ofícios em Palmela.
Estrada Nacional 379, 2950-597 Quinta do Anjo
Aberto todos os dias das 10h às 24h
.facebook.com/events/521564401224305/

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O LAGARTO E O CORAÇÃO DA SERRA DA ESTRELA


No dia 30 de Agosto de 2012, em pleno coração da Serra da Estrela, numa das muitas saídas de campo para a concretização fotográfica do projecto Árvores do Amor - Árvores Misteriosas de Portugal, descobri numa encosta de carvalhos em Manteigas, um coração desenhado pelas próprias árvores.

Passado quase um ano deste feito histórico, fiquei muito feliz por voltar a reencontrar-me com o "meu" coração da Serra da Estrela e perceber que se encontra de boa saúde e recomenda-se.

Para surpresa minha e como recompensa desta  visita (é assim que gosto de a interpretar), tive o privilégio de perceber que o mesmo encontra-se protegido sob o olhar atento de um lagarto de pedra.

Obrigado a todos e continuem a acreditar.
Zito Colaço
 
 
 


terça-feira, 11 de junho de 2013

Árvores do Amor - As Árvores Misteriosas de Potugal

“Portugal, pelo seu clima e pela natureza do seu solo, é fora um ou outro lugar, o país da árvore”

A Árvore não é símbolo, é Vida. E a Vida é Amor. A Árvore da Vida foi assim feita símbolo maior da Vida recriada pelo Amor, que lança raízes em solo firme para se projectar num eixo vertical, que une misteriosamente a Terra e o Céu.

 Árvores do Amor é uma viagem por esse Mistério em solo luso. Um Mistério que não habita apenas florestas densas e matas virgens, mas que pode ser desvelado num jardim citadino à mão de semear. Sendo uma força omnipresente e vital, a árvore é o fio de Ariadne que permite desvelar a Alma nacional.

As Árvores Misteriosas de Portugal, que são acima de tudo Árvores do Amor, é um o livro que permite mapear o nosso território nas três dimensões dessa Alma:

1. Os vários espaços naturais e protegidos (como os parques e reservas naturais);

2. As árvores monumentais classificadas pelo Instituto das Florestas;

3. Os diferentes locais de interesse turístico, geológico e singular. Cumpre aqui dizer que a árvore não aparece como elemento isolado, mas sim como factor de agregação, sendo o factor que levará o leitor/turista a querer descobrir e explorar outros aspectos da paisagem: um castelo, uma fortificação, uma vila, uma aldeia, uma montanha ou um rio.

Está então traçado o roteiro desta viagem ao Porto do Graal, como já alguém lhe chamou. Preferimos simplesmente Portugal. Porque a Vida é simples. E assim é o Amor.

Texto Nuno Costa
Fotografia Zito Colaço

www.arvoresmisteriosasdeportugal.blogspot.com








 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

"Fecha-se uma porta, mas abre-se uma janela."

Às vezes, tudo aponta para que uma nova porta se abra e um novo trilho se percorra! Tudo parece estar a fluir por novos e bons caminhos. Eis senão quando, uma pedra nos faz desviar, ligeiramente, do caminho que à partida visualizamos.
A rota sofre uma ligeira alteração.

"Fecha-se uma porta, mas abre-se uma janela."

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Será este o maior Pinheiro-manso na Margem Sul do Tejo?





Familia: Pinaceae
Pinheiro Manso: Pinus pinea
Idade provável: Bicentenária
Classificação: Árvore de Interesse Nacional

Circunferência a 1,5m: 4,50m
Diâmetro médio de copa: 40m
Altura total: 25m

O pinheiro-manso (Pinus pinea) é uma espécie de pinheiro originária do Velho Mundo, mais precisamente da região do Mediterrâneo. Desde a pré-história, esta árvore é aproveitada como fonte de alimento, devido aos pinhões que produz, sendo uma espécie bastante disseminada.
O pinheiro-manso pode exceder os 78 metros de altura, embora normalmente seja de menor dimensão - entre 12 e 20 metros. Possui uma forma de sombrinha bastante característica, com o tronco curto e largo, culminando numa copa bastante plana.

Os pinheiros são árvores pertencentes à divisão Pinophyta, tradicionalmente incluída no grupo das gimnospérmicas. Este artigo se refere apenas às plantas do género Pinus, da família Pinaceae.
São nativos a maioria do Hemisfério Norte. Na América do Norte, com diversidade mais alta no México e na Califórnia. Na Eurásia, eles ocorrem desde Portugal e leste da Escócia até o extremo oriental da Rússia, Japão, norte da África, o Himalaia com uma espécie formando a floresta de coníferas subtropical, o (Pinheiro de Sumatra) que já cruzou o Equador em Sumatra. Os pinheiros são também plantados extensivamente em muitas partes do Hemisfério Sul.
No Brasil também são chamados pinheiros, espécies que na verdade não fazem parte da família Pinaceae, como a Araucária (Araucaria angustifolia), mais conhecida como pinheiro-do-paraná. Este pertence a família Araucariaceae, que é pequena e nativa apenas do hemisfério sul. Abrange dois gêneros somente: o Agathis, (natural da Austrália) e o Araucaria que aparece no Chile, Argentina e sul-sudeste do Brasil, em regiões de altitude elevada, ou seja, acima de 500 m.
Os pinheiros são plantas perenes e também produzem resinosos. A casca da maioria dos pinheiros é grossa e escamosa, mas em algumas espécies é escamosa. Os brotos são produzidos em inflorescências regulares, que de fato são uma espiral muito apertada aparentando um anel de brotos que surgem do mesmo ponto. Muitos pinheiros são uninodal, produzindo apenas um verticilo de brotos por ano, (de rebentos no início da época de floração), mas outros são multinodal, produzindo dois ou mais verticilos de ramos por ano. Na primavera os brotos são denominados "velas" porque de cor mais clara, apontam para cima e depois escurecem e arrepiam. Estas "velas" servem para avaliar o estado nutricional das plantas.
Os pinheiros têm quatro tipos de folhas. As mudanças começam com um verticilo de 4-20 folhas de sementes (cotiledôneas), seguida imediatamente de folhas juvenis em plantas jovens, com 2–6 cm de comprimento, simples, verdes ou verdes azuladas, arranjadas em espiral no broto. Estes são substituídos depois de seis meses a cinco anos por folhas protectoras, similares a balanças, pequenas, pardas e não-fotosintéticas, arranjadas como as folhas juvenis; e as folhas adultas ou agulhas, verdes, (fotossintéticas), enfeixadas em grupos agulhas, cada fascículo é produzido a partir de um pequeno rebento de um ramo laterar no eixo de uma folha protectora. Estes rebentos protectores permanecem muitas vezes nos fascículos como protecção básica. As agulhas persistem durante 1.5-40 anos, dependendo das espécies. Se um broto ficar danificado (comido por um animal, p.ex.), os fascículos de agulhas imediatamente abaixo do danificado irão gerar um rebento que poderá então substituir o anterior.

Os pinheiros são monóicos, ocorrendo cones masculinos e femininos na mesma árvore. Os cones machos são pequenos, com 1 a 5 cm de cumprimento, e apenas presentes num curto período (usualmente na primavera ou no outono para outros poucos pinheiros), caindo assim que seu pólen se disperse. Os cones femininos levam de 1,5 a 3 anos (dependendo da espécie) para amadurecer e, depois da polinização, a fertilização pode demorar mais um ano. Na sua maturidade os cones femininos têm de 3 a 60 cm de cumprimento. Cada cone tem numerosas folhas protectoras arranjadas em espiral, contendo cada uma duas sementes férteis. As folhas protectoras mais próximas à base do cone são pequenas e estéreis, sem sementes. A maioria das sementes é pequena e alada para serem dispersadas pelo vento (anemophilous), mas algumas são maiores e possuem apenas uma asa vestigial sendo então dispersadas pelos pássaros (ver abaixo). A maturidade do cone é usualmente alcançada quando ele se abre liberando as sementes, mas nas espécies semeadas por pássaros (e.g. Whitebark Pine ou Scrub Pine Pinus albicaulis), será necessário que o pássaro quebre o receptáculo do cone para abri-lo. Em outras, que dependem de incêndios florestais, uma grande quantidade de cones depositada ao longo dos anos é aberta pelo fogo no mesmo incêndio que destrói a árvore-mãe, e assim repovoa a floresta.

Os pinheiros se desenvolvem bem em solo ácido e alguns também em solo calcário; a grande maioria requer um solo bem drenado ou seja prefere solos mais arenosos, mas uns poucos, como por exemplo o Lodgepole Pine (Pinus contorta) são tolerantes à reduzida drenagem e a enxarcamento do solo. Alguns poucos estão aptos a rebrotarem após incêndios florestais, como por exemplo o Canary Island Pine (Pinus canariensis), e outros, como por exemplo Bishop Pine (Pinus muricata), necessitam do fogo para regenerar e suas populações, que declinam vagarosamente em regime de supressão de incêndios. Várias espécies estão adaptadas às condições climáticas extremas impostas pelas elevadas latitudes, por exemplo:Siberian Dwarf Pine, Mountain Pine, Whitebark Pine e o bristlecone pines.
As sementes são comumente espalhadas por pássaros e esquilos. Alguns pássaros, notadamente Spotted Nutcracker (Nucifraga caryocatactes), Clark's Nutcracker (Nucifraga columbiana) e Pinyon Jay (Gymnorhinus cyanocephalus), são importantes na distribuição de sementes de pinheiro em novas áreas onde eles possam crescer.

O pinheiro é a espécie comercialmente mais importante para a produção de madeira nas regiões de clima temperado e tropicais do planeta. Muitos deles são utilizados como matéria-prima para a produção da celulose, que é empregada na produção de papel. Isso porque o pinheiro é uma madeira leve, que possui um rápido crescimento. Além disso ele também pode ser plantado com uma grande densidade populacional e a queda de suas folhas (acículas) produz um efeito alelópatico em plantas de outras espécies ou seja as folhas inibem o crescimento de outras plantas (denominadas de plantas daninhas nas florestas plantadas), o que provoca uma redução na competição por água, luz e nutrientes nas florestas de pinheiros. Um exemplo típico é o da Pinheiro radiata (Pinus radiata D. Don).
A resina de algumas espécies é importante fonte de breu do qual se extrai terebintina e outros óleos essenciais. Algumas espécies têm sementes comestíveis que se podem cozinhar ou assar. Algumas espécies são usadas como árvores de natal e suas pinhas e ramos são largamente usados em decorações natalícias. Muitos pinheiros são também usados como plantas ornamentais em parques e jardins. Uma grande quantidade de espécies anãs é cultivada para plantio em jardins residenciais. Também existe uma longa tradição oriental, especialmente na China e no Japão, e bem difundida entre as culturas ocidentais modernas, do cultivo de miniaturas artísticas das mais diversas espécies de pinheiros, os bonsai, um termo emprestado do idioma japonês.
Os pinhais plantados sempre sofrem acentuado risco de incêndio por causa da camada de acículas secas que se acumulam no solo e porque a árvore possui grande quantidade de resina a ponto de seu material ser explosivo em determinadas condições.

O Pinheiro é usado como símbolo do Natal. Conta uma lenda que, quando Cristo nasceu, as árvores ao seu redor queriam dar-lhe presentes. Apenas o pinheiro, pobre pinheiro, não tinha presentes para dar ao "rei". Com pena da árvore, as estrelas decidiram enfeitar o pinheiro, cobrindo-o com elas mesmas e palha. Assim, o pinheiro virou o símbolo do Natal e, por isso, as pessoas enfeitam árvores no Natal.

Em português - do latim pinariu ou pinu; no inglês pine tem a mesma origem pelo francês pin. No passado (antes do século XIX) eram muitas vezes conhecidos por fir, do nórdico antigo fyrre, através do inglês da Idade Média firre. O nome em nórdico antigo ainda é utilizado para os pinheiros em algumas línguas da Europa: em dinamarquês, fyr, em Norueguês, furu, e Föhre em alguns locais da Alemanha, mas no inglês moderno, "fir" é restringido ao Abies e à Pseudotsuga. Outros nomes europeus incluem o termo alemão Kiefer (o nome mais vulgar na Alemanha), o Sueco tall, o Holandês den, o Finlandês mänty, o Russo sosna, o Búlgaro e o Servo-Croata bor, e o Grego pitys.

Fotografias Zito Colaço

sábado, 9 de junho de 2012

NÃO!

O Tribunal de Almada anulou esta semana a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) para a construção da estrada regional 377-2, de ligação da Costa de Caparica à Fonte da Telha.

Depois das intervenções do senhor Provedor de Justiça e da decisão da senhora ministra, esta sentença judicial é mais uma contribuição para aqueles que sempre acreditaram que poderiam vencer este crime.

Curiosamente, no momento em que o Tribunal anula a declaração de impacto ambiental da ER 377-2, o inefável presidente da Junta da Costa da Caparica, em declarações ao Correio da Manhã, insiste em obras que atentam contra património natural, agrícola e paisagístico do concelho e do país. Depois das infelizes declarações do Deputado Nuno Matias, PCP e PSD continuam de mãos dadas pelo betão no concelho de Almada. 

Tem sido um percurso muito duro. Não é fácil enfrentar a especulção imobiliária e o poder instalado, que usou tudo, até a mentira, para prosseguir os seus intentos. Como estão vivas as palavras duras do Dr. Miguel Sousa Tavares: «Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.»  

Faz um ano que a Senhora Presidente da Cãmara perdeu a compostura, quando apresentei uma declaração política sobre a estrada na Assembleia Municipal.

Pouco tempo antes, foi preciso chamar as coisas pelo nome certo, num país que começa a estar tristemente habituado ao lodaçal dos compromissos tíbios, a que chamam por vezes «oposição construtiva».

Faz dois anos que, numa atitude inaceitável num estado de direito, a Câmara Municipal de Almada ocupou terras agrícolas à força e destruiu propriedade privada, sendo mais tarde acusada pelo tribunal de esbulho violento.

Faz dois anos e meio que maioria comunista e oposição oportunista se uniram para rejeitar um Projecto de Deliberação do CDS que visava a protecção das terras atingidas.

Chamei à ER 377-2 a Estrada da Vergonha. Cada vez mais tenho convicção de que o nome só peca por candura. Mas valeu a pena o cansaço, as aparentes derrotas, até os insultos.

Valeu a pena esta luta que uniu agricultores, o Movimento de Cidadãos Uma Charneca para as Pessoas, políticos do CDS, munícipes e especialistas de elevada estatura científica como o Arq. Gonçalo Ribeiro Telles e o Prof. Eugénio Sequeira.

Valeu a pena a acusação rancorosa no Boletim Municipal por ter sido, há quase uma década, o único deputado municipal que impediu a unanimidade em torno do Programa Polis, onde esta estrada já estava contemplada.

Permitam-me uma nota pessoal. Se mais não houvesse, só por ter contribuído para a preservação deste património, a minha entrada na vida política teria valido a pena. 

Fernando Sousa da Pena

terça-feira, 5 de junho de 2012

Mystères de Bretagne - Brocéliande (França).

MYSTÈRES DE BRETAGNE - BROCÉLIANDE

Foi na floresta de Brocéliande que Arthur tomou a Excalibur nas suas mãos e se fez rei. A mítica espada luminosa ainda ecoa o seu brilho adamantino na floresta encantada da Bretanha. Em silêncio, e profundo recolhimento, ainda podemos sentir a magia de Merlin, a beleza de Guinevere e o combate titânico entre os cavaleiros da Luz e os exércitos das Trevas. As árvores feéricas são hoje as guardiães desse período épico e é nesse holograma intemporal de luz e sombra que o fotógrafo Zito Colaço descobriu as miríades de seres, entidades e forças que habitam a antiga Camelot. Para quem tiver olhos de ver, Mystères de Bretagne é uma porta sagrada para reencontrar a lenda do Santo Graal. Um caminho interior de magia e mistério que conduz a regiões veladas da nossa alma. Para isso, basta escutar o que as árvores têm para nos dizer.

Texto Nuno Costa
Fotografias Zito Colaço