segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

O verdadeiro caminho





















 O verdadeiro caminho da Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos parte integrante da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica
Fotografias Zito Colaço

A verdadeira causa do nosso mal-estar

Muito para além do que pensou Freud, a verdadeira causa do crescente “mal-estar na civilização” é o vivermos muito aquém da nossa verdadeira natureza e das nossas mais fundas potencialidades internas. É dessa profunda privação, bem como do seu não reconhecimento, que vem o desejo compensatório e compulsivo de prosperar e realizar todo o tipo de desejos no mundo material exterior. É por vivermos muito abaixo das nossas profundas potencialidades espirituais que acabamos por desejar viver muito acima das nossas reais possibilidades materiais, tornando-nos escravos-responsáveis do sistema capitalista de produção e consumo que explora e gere esta nossa vulnerabilidade, com todas as consequências a nível social, económico, ambiental e político que configuram a mais visível crise em que nos encontramos. Mas esta crise externa é apenas o efeito de uma crise interna, de natureza espiritual, e não pode ser superada sem que esta o seja. De outro modo, continuaremos a combater sintomas em vez de irmos à sua origem, que é o que têm feito desde há séculos as tentativas de mudança meramente social, económica e política, cuja história é o currículo dos seus fracassos e, muitas vezes, do trágico agravamento dos problemas que tentaram resolver.

A verdadeira causa do nosso mal-estar é vivermos identificados com as fronteiras de um ego psicofisiológico, um género, uma espécie, um nome, uma idade, uma família, uma profissão, uma nação, uma língua, uma cultura, um clube, um partido, uma religião ou uma irreligião, quando na verdade somos íntimos parentes de todos os seres e inseparáveis do todo e do infinito. A verdadeira causa do nosso mal-estar é este exílio e saudade em que vivemos da nossa Vida profunda, numa sociedade que considera isso normal e constantemente pressiona para que jamais despertemos desta alienação e rompamos as barreiras da patológica normose colectiva . A mais funda causa do mal que fazemos aos outros, aos humanos, aos animais e ao planeta, é este mal que dia a dia fazemos a nós mesmos, traindo os nossos mais fundos impulsos ou aspirações em troca da ilusão de prazer, conforto, segurança, prestígio, riqueza e poder, que, por mais que o tentemos ignorar, bem sabemos que nunca nos satisfazem e sempre nos escapam. É daí que vem o stress e a ansiedade com que procuramos entregar-nos a mil ocupações e projectos para anestesiar a dor da ferida aberta que no mais íntimo trazemos. E é da contínua e inevitável frustração disso, pois procuramos fora o que ignoramos ou rejeitamos dentro, que vem todo o mal de viver, o tédio, o desalento, a tristeza e a frustração que assombram a sociedade contemporânea e se traduzem em depressões, neuroses e psicoses que a psicologia e psiquiatria convencionais tratam com meios externos e químicos, por ignorarem que são fundamentalmente crises decorrentes da repressão individual e colectiva daquilo que Stanislav Grof e a psicologia transpessoal chamam “emergência espiritual”.

“Necessitamos de um movimento global de redescoberta das dimensões profundas da Vida, que reencontre os caminhos de iniciação esquecidos e rejeitados pelas sociedades industriais movidas pela ganância de domínio e exploração do mundo exterior.”

Necessitamos de novas experiências, escolas e comunidades onde se viva desde já em descoberta e comunhão do íntimo numinoso do ser. É urgente redescobrir e libertar as possibilidades mais amplas e fundas da consciência, da criatividade e dos relacionamentos, da sexualidade, do erotismo e do amor, com uma ética do respeito integral pela Terra e por todas as formas de vida. Pois a normose de um sistema senil, que vive de gerar cadáveres adiados que produzem e procriam, não pode curar-se recorrendo às vias sempre fracassadas do passado. Dela nada nem ninguém nos pode libertar senão o movimento de cada um e de todos para perder o medo que nos fecha nas falsas identidades, romper os muros da normalidade instituída, amar, abraçar e dançar a Vida em nós e em tudo e descobrir a Vastidão que desde sempre trazemos em nós encoberta. Pois o que admiramos na contemplação do céu, do mar, das florestas, dos astros e das paisagens vastas e silenciosas, o que nos arrebata naquelas melodias, imagens ou palavras que subitamente nos transportam para além do tempo, o que procuramos na natureza, na arte, na literatura, na religião e no amor, não é senão a revelação fulgurante disso que desde sempre, a cada instante e para sempre sem o saber somos: a nossa Realeza cósmica, coroada de silêncio, espanto e estrelas.


Texto Paulo Borges


Fonte: www.paulo-borges.com

domingo, 20 de setembro de 2020

O nascer e o pôr do Sol na Serra do Caldeirão

Vista do nascer do Sol a partir do Javali
Vale da Ribeira de Odeleite
Vale da Ribeira de Odeleite - Sul
Nascer do Sol
Vale da Ribeira de Odeleite - Norte
Via Algarviana perto do Barranco Velho
Moinhos da Menta
Vista a partir dos Moinhos da Menta
Posto de Vigia - Moinhos da Menta
Vista a partir dos Moinhos da Menta
Posto de vigia dos Moinhos da Menta
Pôr do Sol na Serra do Caldeirão

As primeiras plantas já chegaram à Serra do Caldeirão.









Eu, o Senhor Eduardo e a Dona Bela, a construir um muro de pedra no Javali.

"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo"...

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Medo, o caçador de sonhos


Medo, o caçador de sonhos


O início de uma nova fase traz-nos sempre a motivação para mudar, inspira-nos a fazer o que sempre quisemos mas nunca encontramos momento certo. A nova fase parece ser o momento certo para planear mudanças. Façamo-las. Se sentimos que há algo na nossa vida ou em nós que devemos fazer de diferente, se sentimos a sede de mudar, de fazer mais ou diferente. Façamo-lo.

 

Os sonhos e os objetivos a que nos propomos começam sempre pela estória de um medo. Quando pensamos ou decidimos fazer uma mudança temos sempre a voz do medo a mostrar-nos todas os cenários possíveis e imaginários. Os medos nunca existem as estórias que nos contam não são reais.

 

Todas as grandes mudanças e todas as grandes histórias começam por alguém repleto de medo. O medo é o estado inicial do amor. Temos, porém, deixar que o medo parta para dar lugar à fé, à paz e ao amor.  Se deixarmos o medo congela-nos e cria raízes. Impede-nos de ser o melhor que podemos ser. Faz-nos ser sempre metade do que conseguimos. Quando o medo chegar não lhe falemos. Ousemos perceber que apenas nos quer dominar o corpo e a alma impedindo-nos de avançar. Ousemos perceber-lhe as razões e as entranhas. Ousemos tratá-lo por tu e mostrar-lhe quem manda.

 

Há uma frase que diz “cuidado com o medo ele adora roubar sonhos”. Bem sei que o medo existe para nos proteger do perigo. Porém senão tivermos cuidado ele protege-nos da felicidade. Usemos o medo como aliado para conhecer as possibilidades de erros e desastres possíveis. Mas não permitamos que seja ele a ficar com a última palavra. Fazendo estamos a permiti-lo dominar, estamos a permitir que nos roube os sonhos. Tal como diz o papa Francisco: “O medo  é uma atitude que nos faz mal,  enfraquece-nos, limita-nos e até nos paralisa. Quem tem medo não faz nada, não sabe o que fazer; concentra-se em si mesmo para que não lhe aconteça nada de mal.” Ousemos sonhar. Ousemos acreditar. Não liguemos ao medo. Fazendo-o estamos a existir em vez de viver. Talvez não nos aconteça nada de mal. Porém também não nos acontecerá nada de bom ou de incrivelmente maravilhoso. O medo é a nossa zona de conforto e pode ser um lugar bonito mas nada cresce lá.


Arco Natural da Praia da Mesquita
Praia de Benagil
Algar de Benagil
Jovens a mergulhar na Ponta Grande 
Praia do Cão Raivoso
Encosta perto do Cabo Carvoeiro
Pai e filho
"Submarino amarelo" na Praia da Morena
Algar de Albandeira
Algar dos Capitães
Arco Natural de Albandeira

Observação de golfinhos

Obrigado a todos aqueles que, comigo, acreditaram que um dia seria possível enfrentar tais medos - esses caçadores de sonhos.