quinta-feira, 27 de junho de 2013

O LAGARTO E O CORAÇÃO DA SERRA DA ESTRELA


No dia 30 de Agosto de 2012, em pleno coração da Serra da Estrela, numa das muitas saídas de campo para a concretização fotográfica do projecto Árvores do Amor - Árvores Misteriosas de Portugal, descobri numa encosta de carvalhos em Manteigas, um coração desenhado pelas próprias árvores.

Passado quase um ano deste feito histórico, fiquei muito feliz por voltar a reencontrar-me com o "meu" coração da Serra da Estrela e perceber que se encontra de boa saúde e recomenda-se.

Para surpresa minha e como recompensa desta  visita (é assim que gosto de a interpretar), tive o privilégio de perceber que o mesmo encontra-se protegido sob o olhar atento de um lagarto de pedra.

Obrigado a todos e continuem a acreditar.
Zito Colaço
 
 
 


terça-feira, 11 de junho de 2013

Árvores do Amor - As Árvores Misteriosas de Potugal

“Portugal, pelo seu clima e pela natureza do seu solo, é fora um ou outro lugar, o país da árvore”

A Árvore não é símbolo, é Vida. E a Vida é Amor. A Árvore da Vida foi assim feita símbolo maior da Vida recriada pelo Amor, que lança raízes em solo firme para se projectar num eixo vertical, que une misteriosamente a Terra e o Céu.

 Árvores do Amor é uma viagem por esse Mistério em solo luso. Um Mistério que não habita apenas florestas densas e matas virgens, mas que pode ser desvelado num jardim citadino à mão de semear. Sendo uma força omnipresente e vital, a árvore é o fio de Ariadne que permite desvelar a Alma nacional.

As Árvores Misteriosas de Portugal, que são acima de tudo Árvores do Amor, é um o livro que permite mapear o nosso território nas três dimensões dessa Alma:

1. Os vários espaços naturais e protegidos (como os parques e reservas naturais);

2. As árvores monumentais classificadas pelo Instituto das Florestas;

3. Os diferentes locais de interesse turístico, geológico e singular. Cumpre aqui dizer que a árvore não aparece como elemento isolado, mas sim como factor de agregação, sendo o factor que levará o leitor/turista a querer descobrir e explorar outros aspectos da paisagem: um castelo, uma fortificação, uma vila, uma aldeia, uma montanha ou um rio.

Está então traçado o roteiro desta viagem ao Porto do Graal, como já alguém lhe chamou. Preferimos simplesmente Portugal. Porque a Vida é simples. E assim é o Amor.

Texto Nuno Costa
Fotografia Zito Colaço

www.arvoresmisteriosasdeportugal.blogspot.com








 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

"Fecha-se uma porta, mas abre-se uma janela."

Às vezes, tudo aponta para que uma nova porta se abra e um novo trilho se percorra! Tudo parece estar a fluir por novos e bons caminhos. Eis senão quando, uma pedra nos faz desviar, ligeiramente, do caminho que à partida visualizamos.
A rota sofre uma ligeira alteração.

"Fecha-se uma porta, mas abre-se uma janela."

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Será este o maior Pinheiro-manso na Margem Sul do Tejo?





Familia: Pinaceae
Pinheiro Manso: Pinus pinea
Idade provável: Bicentenária
Classificação: Árvore de Interesse Nacional

Circunferência a 1,5m: 4,50m
Diâmetro médio de copa: 40m
Altura total: 25m

O pinheiro-manso (Pinus pinea) é uma espécie de pinheiro originária do Velho Mundo, mais precisamente da região do Mediterrâneo. Desde a pré-história, esta árvore é aproveitada como fonte de alimento, devido aos pinhões que produz, sendo uma espécie bastante disseminada.
O pinheiro-manso pode exceder os 78 metros de altura, embora normalmente seja de menor dimensão - entre 12 e 20 metros. Possui uma forma de sombrinha bastante característica, com o tronco curto e largo, culminando numa copa bastante plana.

Os pinheiros são árvores pertencentes à divisão Pinophyta, tradicionalmente incluída no grupo das gimnospérmicas. Este artigo se refere apenas às plantas do género Pinus, da família Pinaceae.
São nativos a maioria do Hemisfério Norte. Na América do Norte, com diversidade mais alta no México e na Califórnia. Na Eurásia, eles ocorrem desde Portugal e leste da Escócia até o extremo oriental da Rússia, Japão, norte da África, o Himalaia com uma espécie formando a floresta de coníferas subtropical, o (Pinheiro de Sumatra) que já cruzou o Equador em Sumatra. Os pinheiros são também plantados extensivamente em muitas partes do Hemisfério Sul.
No Brasil também são chamados pinheiros, espécies que na verdade não fazem parte da família Pinaceae, como a Araucária (Araucaria angustifolia), mais conhecida como pinheiro-do-paraná. Este pertence a família Araucariaceae, que é pequena e nativa apenas do hemisfério sul. Abrange dois gêneros somente: o Agathis, (natural da Austrália) e o Araucaria que aparece no Chile, Argentina e sul-sudeste do Brasil, em regiões de altitude elevada, ou seja, acima de 500 m.
Os pinheiros são plantas perenes e também produzem resinosos. A casca da maioria dos pinheiros é grossa e escamosa, mas em algumas espécies é escamosa. Os brotos são produzidos em inflorescências regulares, que de fato são uma espiral muito apertada aparentando um anel de brotos que surgem do mesmo ponto. Muitos pinheiros são uninodal, produzindo apenas um verticilo de brotos por ano, (de rebentos no início da época de floração), mas outros são multinodal, produzindo dois ou mais verticilos de ramos por ano. Na primavera os brotos são denominados "velas" porque de cor mais clara, apontam para cima e depois escurecem e arrepiam. Estas "velas" servem para avaliar o estado nutricional das plantas.
Os pinheiros têm quatro tipos de folhas. As mudanças começam com um verticilo de 4-20 folhas de sementes (cotiledôneas), seguida imediatamente de folhas juvenis em plantas jovens, com 2–6 cm de comprimento, simples, verdes ou verdes azuladas, arranjadas em espiral no broto. Estes são substituídos depois de seis meses a cinco anos por folhas protectoras, similares a balanças, pequenas, pardas e não-fotosintéticas, arranjadas como as folhas juvenis; e as folhas adultas ou agulhas, verdes, (fotossintéticas), enfeixadas em grupos agulhas, cada fascículo é produzido a partir de um pequeno rebento de um ramo laterar no eixo de uma folha protectora. Estes rebentos protectores permanecem muitas vezes nos fascículos como protecção básica. As agulhas persistem durante 1.5-40 anos, dependendo das espécies. Se um broto ficar danificado (comido por um animal, p.ex.), os fascículos de agulhas imediatamente abaixo do danificado irão gerar um rebento que poderá então substituir o anterior.

Os pinheiros são monóicos, ocorrendo cones masculinos e femininos na mesma árvore. Os cones machos são pequenos, com 1 a 5 cm de cumprimento, e apenas presentes num curto período (usualmente na primavera ou no outono para outros poucos pinheiros), caindo assim que seu pólen se disperse. Os cones femininos levam de 1,5 a 3 anos (dependendo da espécie) para amadurecer e, depois da polinização, a fertilização pode demorar mais um ano. Na sua maturidade os cones femininos têm de 3 a 60 cm de cumprimento. Cada cone tem numerosas folhas protectoras arranjadas em espiral, contendo cada uma duas sementes férteis. As folhas protectoras mais próximas à base do cone são pequenas e estéreis, sem sementes. A maioria das sementes é pequena e alada para serem dispersadas pelo vento (anemophilous), mas algumas são maiores e possuem apenas uma asa vestigial sendo então dispersadas pelos pássaros (ver abaixo). A maturidade do cone é usualmente alcançada quando ele se abre liberando as sementes, mas nas espécies semeadas por pássaros (e.g. Whitebark Pine ou Scrub Pine Pinus albicaulis), será necessário que o pássaro quebre o receptáculo do cone para abri-lo. Em outras, que dependem de incêndios florestais, uma grande quantidade de cones depositada ao longo dos anos é aberta pelo fogo no mesmo incêndio que destrói a árvore-mãe, e assim repovoa a floresta.

Os pinheiros se desenvolvem bem em solo ácido e alguns também em solo calcário; a grande maioria requer um solo bem drenado ou seja prefere solos mais arenosos, mas uns poucos, como por exemplo o Lodgepole Pine (Pinus contorta) são tolerantes à reduzida drenagem e a enxarcamento do solo. Alguns poucos estão aptos a rebrotarem após incêndios florestais, como por exemplo o Canary Island Pine (Pinus canariensis), e outros, como por exemplo Bishop Pine (Pinus muricata), necessitam do fogo para regenerar e suas populações, que declinam vagarosamente em regime de supressão de incêndios. Várias espécies estão adaptadas às condições climáticas extremas impostas pelas elevadas latitudes, por exemplo:Siberian Dwarf Pine, Mountain Pine, Whitebark Pine e o bristlecone pines.
As sementes são comumente espalhadas por pássaros e esquilos. Alguns pássaros, notadamente Spotted Nutcracker (Nucifraga caryocatactes), Clark's Nutcracker (Nucifraga columbiana) e Pinyon Jay (Gymnorhinus cyanocephalus), são importantes na distribuição de sementes de pinheiro em novas áreas onde eles possam crescer.

O pinheiro é a espécie comercialmente mais importante para a produção de madeira nas regiões de clima temperado e tropicais do planeta. Muitos deles são utilizados como matéria-prima para a produção da celulose, que é empregada na produção de papel. Isso porque o pinheiro é uma madeira leve, que possui um rápido crescimento. Além disso ele também pode ser plantado com uma grande densidade populacional e a queda de suas folhas (acículas) produz um efeito alelópatico em plantas de outras espécies ou seja as folhas inibem o crescimento de outras plantas (denominadas de plantas daninhas nas florestas plantadas), o que provoca uma redução na competição por água, luz e nutrientes nas florestas de pinheiros. Um exemplo típico é o da Pinheiro radiata (Pinus radiata D. Don).
A resina de algumas espécies é importante fonte de breu do qual se extrai terebintina e outros óleos essenciais. Algumas espécies têm sementes comestíveis que se podem cozinhar ou assar. Algumas espécies são usadas como árvores de natal e suas pinhas e ramos são largamente usados em decorações natalícias. Muitos pinheiros são também usados como plantas ornamentais em parques e jardins. Uma grande quantidade de espécies anãs é cultivada para plantio em jardins residenciais. Também existe uma longa tradição oriental, especialmente na China e no Japão, e bem difundida entre as culturas ocidentais modernas, do cultivo de miniaturas artísticas das mais diversas espécies de pinheiros, os bonsai, um termo emprestado do idioma japonês.
Os pinhais plantados sempre sofrem acentuado risco de incêndio por causa da camada de acículas secas que se acumulam no solo e porque a árvore possui grande quantidade de resina a ponto de seu material ser explosivo em determinadas condições.

O Pinheiro é usado como símbolo do Natal. Conta uma lenda que, quando Cristo nasceu, as árvores ao seu redor queriam dar-lhe presentes. Apenas o pinheiro, pobre pinheiro, não tinha presentes para dar ao "rei". Com pena da árvore, as estrelas decidiram enfeitar o pinheiro, cobrindo-o com elas mesmas e palha. Assim, o pinheiro virou o símbolo do Natal e, por isso, as pessoas enfeitam árvores no Natal.

Em português - do latim pinariu ou pinu; no inglês pine tem a mesma origem pelo francês pin. No passado (antes do século XIX) eram muitas vezes conhecidos por fir, do nórdico antigo fyrre, através do inglês da Idade Média firre. O nome em nórdico antigo ainda é utilizado para os pinheiros em algumas línguas da Europa: em dinamarquês, fyr, em Norueguês, furu, e Föhre em alguns locais da Alemanha, mas no inglês moderno, "fir" é restringido ao Abies e à Pseudotsuga. Outros nomes europeus incluem o termo alemão Kiefer (o nome mais vulgar na Alemanha), o Sueco tall, o Holandês den, o Finlandês mänty, o Russo sosna, o Búlgaro e o Servo-Croata bor, e o Grego pitys.

Fotografias Zito Colaço

sábado, 9 de junho de 2012

NÃO!

O Tribunal de Almada anulou esta semana a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) para a construção da estrada regional 377-2, de ligação da Costa de Caparica à Fonte da Telha.

Depois das intervenções do senhor Provedor de Justiça e da decisão da senhora ministra, esta sentença judicial é mais uma contribuição para aqueles que sempre acreditaram que poderiam vencer este crime.

Curiosamente, no momento em que o Tribunal anula a declaração de impacto ambiental da ER 377-2, o inefável presidente da Junta da Costa da Caparica, em declarações ao Correio da Manhã, insiste em obras que atentam contra património natural, agrícola e paisagístico do concelho e do país. Depois das infelizes declarações do Deputado Nuno Matias, PCP e PSD continuam de mãos dadas pelo betão no concelho de Almada. 

Tem sido um percurso muito duro. Não é fácil enfrentar a especulção imobiliária e o poder instalado, que usou tudo, até a mentira, para prosseguir os seus intentos. Como estão vivas as palavras duras do Dr. Miguel Sousa Tavares: «Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.»  

Faz um ano que a Senhora Presidente da Cãmara perdeu a compostura, quando apresentei uma declaração política sobre a estrada na Assembleia Municipal.

Pouco tempo antes, foi preciso chamar as coisas pelo nome certo, num país que começa a estar tristemente habituado ao lodaçal dos compromissos tíbios, a que chamam por vezes «oposição construtiva».

Faz dois anos que, numa atitude inaceitável num estado de direito, a Câmara Municipal de Almada ocupou terras agrícolas à força e destruiu propriedade privada, sendo mais tarde acusada pelo tribunal de esbulho violento.

Faz dois anos e meio que maioria comunista e oposição oportunista se uniram para rejeitar um Projecto de Deliberação do CDS que visava a protecção das terras atingidas.

Chamei à ER 377-2 a Estrada da Vergonha. Cada vez mais tenho convicção de que o nome só peca por candura. Mas valeu a pena o cansaço, as aparentes derrotas, até os insultos.

Valeu a pena esta luta que uniu agricultores, o Movimento de Cidadãos Uma Charneca para as Pessoas, políticos do CDS, munícipes e especialistas de elevada estatura científica como o Arq. Gonçalo Ribeiro Telles e o Prof. Eugénio Sequeira.

Valeu a pena a acusação rancorosa no Boletim Municipal por ter sido, há quase uma década, o único deputado municipal que impediu a unanimidade em torno do Programa Polis, onde esta estrada já estava contemplada.

Permitam-me uma nota pessoal. Se mais não houvesse, só por ter contribuído para a preservação deste património, a minha entrada na vida política teria valido a pena. 

Fernando Sousa da Pena

terça-feira, 5 de junho de 2012

Mystères de Bretagne - Brocéliande (França).

MYSTÈRES DE BRETAGNE - BROCÉLIANDE

Foi na floresta de Brocéliande que Arthur tomou a Excalibur nas suas mãos e se fez rei. A mítica espada luminosa ainda ecoa o seu brilho adamantino na floresta encantada da Bretanha. Em silêncio, e profundo recolhimento, ainda podemos sentir a magia de Merlin, a beleza de Guinevere e o combate titânico entre os cavaleiros da Luz e os exércitos das Trevas. As árvores feéricas são hoje as guardiães desse período épico e é nesse holograma intemporal de luz e sombra que o fotógrafo Zito Colaço descobriu as miríades de seres, entidades e forças que habitam a antiga Camelot. Para quem tiver olhos de ver, Mystères de Bretagne é uma porta sagrada para reencontrar a lenda do Santo Graal. Um caminho interior de magia e mistério que conduz a regiões veladas da nossa alma. Para isso, basta escutar o que as árvores têm para nos dizer.

Texto Nuno Costa
Fotografias Zito Colaço

sexta-feira, 23 de março de 2012

Limpar Portugal 2012 / Limpar a Mata dos Medos - Junta-te a nós!

24 de Março de 2012
Limpar Portugal / Limpar a Mata dos Medos - 7h (Trazer almoço).
Local - Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos parte integrante da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica
Ponto de Encontro - 10h no Parque de Merendas em frente à G.N.R. da Fonte da telha

quinta-feira, 8 de março de 2012

"Lost in the Trees", Mata dos Medos


Toda a criação é feita em três actos. O psicodrama individual de potência, movimento e expansão é um espelho reluzente das leis universais da tríade cósmica. Zeus, Athena e Hera. Deus, Pai e Espírito Santo. Brahman, Vishnu e Shiva. Uma lógica poeticamente matemática expressa também nos três corpos de Buda: o espaço infinito do Dharmakaya, o campo mental de formas puras do Shambogakaya e a materialização dos elementos terra, ar, água e fogo no Nirmanakaya. E foi a lógica do três, ou do terceiro incluído, se evocarmos também a perspectiva holística e transdisciplinar, que une partícula, onda, céu, terra e ser humano e senta à mesma mesa o cientista, o poeta e o místico, que inspirou o acto de criação de Zito Colaço, dando à luz a exposição Lost in The Trees.

Para dar início à sua obra, o fotógrafo também teve de passar por três estágios de ascensão. E para que estes três níveis se harmonizem são sempre inevitáveis a morte e o renascimento. O perder-se para encontrar-se de Florbela Espanca. Porque Kaos e Ordem sustentam o jogo de sombras da existência até que a visão luminosa e unificadora do Três se manifeste em toda a sua plenitude. Por isso, não é de estranhar que o Zito tenha percorrido o seu labirinto interior, túnel de luz e treva, até que a exposição pudesse nascer com a força de todas as explosões criativas, do Big-Bang à formação de estrelas e planetas, do hominídeo ao homo sapiens, dos primitivos tambores tribais às sonatas de Mozart. Três momentos, três notas rítmicas que fizeram ecoar a melodia de Lost in The Trees. Primeiro, perdeu-se quando numa hora de intervalo em pleno exercício da sua profissão, ou seja fotografar por encomenda sob ordens diárias e rotineiras de várias redacções e produtos similares de media, a sua objectiva avariou. O olhar sobre o mundo, profissional e pessoal, do Zito acabara de desfocar-se. Desfoque que, em vez de ser um contratempo, converteu-se na possibilidade de focar a realidade a partir de um outro ponto de observação. E o novo enfoque deu-se justamente durante essa penosa mas necessária hora de sofrimento e recriação, em que o fotógrafo, para jogar ao jogo de fazer tempo até ao novo telefonema profissional, descobre Sophia de Mello Breyner e abre uma nova página no seu novo manual de focagem: "A árvore antiga/Que cantou na brisa/Tornou-se cantiga”. A história de uma árvore tão gigantesca quanto milenar que, apesar de ser cultuada e respeitada pelos habitantes de uma pequena ilha, impedia os raios de Sol de entrar na comunidade e condicionava o modo de vida dos autóctones, acabando por ser sacrificada, para que novas árvores, folhas e frutos florescessem e partissem rumo fora na madeira de um barco que se tornara sagrado. A árvore renascia em novas formas de vida. E este renascimento o Zito pressente-o quando vê pela primeira vez que o desfoque podia ser nada mais do que um outro enfoque. Um ângulo cinestésico que oferece ao Zito o seu segundo processo de focagem. A sua objectiva havia acabado de renascer. E o Zito também.
Focado numa visão mais ampla, à medida do desfoque técnico da academia, reaprendeu a olhar o essencial do mundo. A nossa passagem pelo Planeta como uma casa, uma morada, um palácio que deve ser tratado com respeito. Um palácio de árvores centenárias, bosques verdejantes e luz cristalina e dourada, que respira ao ritmo do Sol e do Mar. Mata do Medos, ou dunas, como se falava antigamente, por onde as vagas do ar e da água brincam com a terra, o elemento feminino, a contraparte do um, o dois, para chegar ao três. A esta união se chama na Tradição o Amor. E foi preciso o Zito perder o foco dos condicionamentos sócio-culturais e psicológicos bem como dos preconceitos dos juízos de cátedra e diploma na mão, mas que nunca buscam a arte, a paixão e o risco, condimentos essenciais do amor, para focar o Mundo “tal qual” ele é, o que lhe permitiu aproximar a lente da realidade “tal qual é”, expressão budista e vedantina da visão não-dual, igualmente constante da Presença crística, judaica ou islâmica, que é o nossa meta-percurso primordial, expansivo e eterno…

E esse regresso primordial ao feminino da Mãe-Terra, ao Amor de Gaia, ao fogo da paixão que germina no silêncio contemplativo, ou pelo menos numa etapa dele, o Zito aprimorou ainda mais o olhar para focar ainda melhor o essencial do mundo, etapa iniciática de sentido ascendente consubstanciada na redenção, no aconchego, no colo das árvores que ouvem, observam e falam. E neste terceiro estágio em que as árvores são árvores mas são também seres que sentem “tudo de todas as maneiras” (pedindo emprestado o sentir pessoano), o Zito contemplou o jogo terreno, o teatro da vida onde observador e observado se confundem, fotografando aqueles momentos em que as árvores são. E são simplesmente porque “entre a árvore e vê-la onde está o sonho”. E o sonho do Zito chama-se fotografar todas as florestas e bosques do Mundo. Prosseguindo no sonho mas em estado de vigília. Porque Lost in The Trees é um sonho acordado que nos convida a despertar.

Lost in The Trees by Zito Colaço
Texto: Nuno Costa

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

As Árvores do Amor - Um projecto

As Árvores do Amor – Um projecto

(LoveTreesProject)

 
A Floresta, esse lugar mágico que já existia antes da humanidade e que, por isso, começou por inspirar medo, exerce ainda hoje um fascínio que se adensa quanto mais nos afastamos dela, em direcção às cidades. E o que acontece quando é a cidade que se aproxima, perigosamente, da floresta? O projecto Love Trees, pretende sensibilizar para a conservação e preservação da natureza e está associado a várias actividades neste âmbito, tais como, exposições de fotografia, palestras, workshops de fotografia de natureza, cursos de sobrevivência, actividades pedagógicas, música, organização de caminhadas e passeios pedestres. Pretende partilhar uma nova visão de conservar a natureza, defendendo e valorizando os princípios de actuação que contribuem para o desenvolvimento de uma consciência e de uma cultura ambiental mais sustentável, incidindo, para isso, sobre um universo muito próprio: Os pinheiros mansos (Pinea pineas) da Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos, parte integrante da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica, uma floresta que, dada a sua proximidade com Lisboa, tem tanto de rico e fascinante como de desconhecido por parte de quem a cruza para chegar às praias, das mais procuradas durante o Verão por razões óbvias. Detentora de uma fauna e flora riquíssimas, esta mancha florestal a escassos dez minutos da capital portuguesa está, porém, ameaçada pelo avanço urbanístico ditado por essa mesma proximidade. É, pois, urgente, que se despertem consciências. Mas nem sempre isso tem de ser feito pelas vias institucionais ou, sequer, tradicionais.

A ideia nasceu de um amor pela floresta de um habitante local. Mas também de um ímpeto criativo. Luís Alexandre dos Santos Colaço, ou Zito Colaço, como é conhecido profissionalmente, é Jornalista - Repórter fotográfico. Nasceu, assim, um projecto para um livro Love Trees. Imagens a preto e branco retratando as estranhas formas que os pinheiros mansos adquirem, dadas as características do local onde crescem (no topo de uma arriba junto ao mar e sujeitos à acção dos ventos), com poemas de Nuno Miguel Dias, jornalista de viagens, é uma obra gráfica. Mas LoveTrees é também uma exposição de fotografias itinerante, um blogue e um filme. Extrínseco a esta vertente mais criativa, há, contudo, um conjunto de actividades pedagógicas que visam um público menos desperto para as artes, sensibilizando-o para a urgência de conservação deste lugar único: Passeios pedestres (como o que terá lugar no próximo dia 14 de Fevereiro) e workshops organizados no próprio local ou no Bilma Camp Holiday Action. Para além da sua preenchidíssima agenda laboral e do Projecto Love Trees, Zito Colaço foi o criador do projecto Bilma - Comunicação e Natureza, Ao Pé do Mundo - Grupo de Caminhadas e Passeios Pedestres, faz cinema, dá formação de fotografia de Natureza, organiza caminhadas e passeios pedestres. Recentemente, foi convidado para colaborar como Guia de Montanha para uma agência de viagens.

"Por favor, cuidem das árvores. As árvores cuidam de nós". Zito Colaço
 
                                         
Love Trees Project no país e no mundo
O projecto LOVE TREES pretende, também, através da linguagem fotográfica re-criar o "surrealismo" de vários Bosques, Matas ou Florestas de cada região do país e do mundo.

Fotografias Zito colaço 

A lenda da Costa da Caparica


Contam os antigos que havia na actual Costa da Caparica, que hoje é cidade, uma senhora que era mendiga, e que usava uma capa muito velha e que nunca a tirava… prontos ela era mendiga, vivia na rua e quem passava por ela afastava-se porque ela, prontos e o aspecto dela, prontos repugnava as pessoas. A senhora durou durante, andou durante muitos anos pela Costa da Caparica, sempre vestida de preto com aquela capa, até que, quando faleceu e tiveram que fazer os tratamentos fúnebres, encontraram a capa e a capa era riquíssima! Estava cheia de ouro, antigamente aquilo eram moedas de ouro e as moedas estavam pregadas por toda a capa. Prontos, e então a lenda conta que o nome derivou da capa rica. E foi daí que veio a história da vila. Antigamente era vila que passou a cidade que era Capa rica a actual Costa da Caparica. Era essa a lenda!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

LoveTreesProject por Zito Colaço, no Cartaz das Artes/TVI.

O programa Cartaz das Artes Nº 437 (Série IX, Nº 7) com emissão esta Quinta-feira dia 16/02/2012 na TVI tem os seguintes conteúdos:

4) uma reportagem sobre a exposição LOVETREES. O projecto conta com diversas actividades que usam a arte para a sensibilização da natureza. O fotojornalista Almadense e fotógrafo de ambiente, Zito Colaço cria o projecto através de imagens captadas na mata nacional dos medos, na zona da Arriba Fóssil, da Caparica. A exposição pode ser vista no Cine Incrível em Almada até 31 Março.

(Este programa também é emitido no canal TVI24 no Sábado, 17 de Fevereiro, às 06:30; Domingo, 18 de Fevereiro, às 11:15 e Terça-feira, dia 21 de Fevereiro às 05:30)

(É só clicar no programa de 16 de Fevereiro e ver a partir do minuto 9.50. Reportagem sobre a inspiração de Zito Colaço no meio das árvores da Mata dos Medos que deu origem à exposição de fotografia e filme Love Trees com a banda sonora de Orn Spirit)

http://www.tvi.iol.pt/programa/1585