sábado, 21 de maio de 2016
sexta-feira, 13 de maio de 2016
PARQUE DA PAZ
PARQUE DA PAZ
Diziam-me os antigos, na pessoa do meu avô e seus compinchas de cartada na tasca do coreto do Seixal, que as trovoadas de Maio matavam o Verão. Nunca duvidei. Agora com vista para o Estuário, lá longe a Seca do Bacalhau, aquilo era gente que viera do Alentejo com idade de ter conhecimentos sobejos para dentro e toda a vontade de uma vida melhor de fora, ao peito, a pesar o que tivesse que ser. “É a uva que não medra, o vinho que não sai, o engaço que não pinga bagaço”. Diziam também que as culturas de estio ficam adiadas para anos menos molhados na altura errada. Mas isso eram assuntos que não me acrescentavam carrego numa idade em que a minha única entrega à agricultura era descascar favas para o almoço de Domingo. Uma frase, porém, pendeu-me da fronte até hoje: “Os pássaros morrem nos ninhos”…
Fui ver. E quando a Mata dos Medos ou a Apostiça distam mais do que podemos, há o genial Parque da Paz. Que de urbano, pouco tem. É, por outro lado, uma faixa de floresta que foi, precisamente, salva do iminente urbanismo. Sim, há adições. Passadiços, pontes e circuitos alcatroados e calcetados que convidam ao passeio. Há um lago onde arribam espécies migratórias, umas em trânsito, outras para ficar, entre garças, galinhas-de-água, galeirões, maçaricos-das-rochas ou mesmo guarda-rios.
Mas para lá de tudo isso há As Árvores.
Os centenários sobreiros, oliveiras e pinheiros mansos, bravos e carvalhos que adensam para Sul. Formam um bosque onde o silêncio e a sombra permitem muito mais que o sossego humano. Privilegiam-nos, a eles. É aí que costumo vê-los: Pintassilgos, rabirruivos, poupas, alvéolas-brancas, piscos. Por entre a densa folhagem, há muitas vidas que decorrem à margem da presença humana. Como se aquele enorme santuário urbano tornasse cada árvore um altar.
As trovoadas já lá vão. Esperamos. São muito poucas horas da manhã. Ao largo, há gente afobada em corridas e pedaladas. Aqui, neste bosque mais denso, há um melro em azáfama canora. De um sobreiro assoma um gaio. Leva caruma no bico. Talvez vá a tempo. Talvez o tempo que faz também. E as árvores do Parque da Paz, que abrigam muito mais que toda a vida que a vista abarca, só existem porque alguém foi a tempo. Aquele a que sempre vamos. Se quisermos.
Texto Nuno Miguel Dias
Fotografias Zito Colaço
quarta-feira, 27 de abril de 2016
18#Montes Claros, Parque Florestal do Monsanto, Lisboa.
"Danças na horizontal a tua história, a espiral de nós, o movimento de possibilidades infinitas, que na casca tempo te gravam Amor. Inspiro a tua voz e o teu silêncio, enquanto as tuas folhas aguardam a passagem da brisa para se esticarem.
Na tua superfície agarro uma vida de mãos dadas, sempre renascida, sempre presente. Sinto o teu perpetuo mergulho e nalgum ponto o teu movimento ecoa na mandíbula da minha alma e num trago sei que tanto eu como ela, somos tuas."
Abraço de árvore
Carla
"O vínculo com nossa própria intuição propicia uma confiante dependência que resiste a tudo. Ele muda a diretriz da mulher de uma atitude de "o que será, será" para uma de "quero ver tudo o que há para ser visto".
Clarissa Pinkola Estes
Fotografias Zito Colaço
terça-feira, 26 de abril de 2016
"Nós aqui temos isto" - FONTE DA TELHA É MUITO MAIS QUE PRAIA, by Lisbon South Bay Blog
É. É uma excelente praia. Todos sabemos que é. É por isso um dos nossos locais preferidos para fazer praia, um grande sítio para comer bem, para apreciar a vista, uma bebida, um gelado e mais um sem número de coisas que por ali conseguimos fazer, quer de Inverno, quer de Verão.
A vista da Arriba Fóssil é qualquer coisa do outro mundo, mas felizmente faz parte deste, do nosso mundo e podemos apreciá-lo. O que ainda não tínhamos verdadeiramente apreciado foi a envolvência da flora, ali da mata.
Neste nosso percurso por novas descobertas na Margem Sul, tivemos a sorte de conhecer o Zito Colaço, repórter fotográfico de profissão, nascido e criado na Margem Sul e, que há uns anos criou o I LOVE TREES PORTUGAL, um projecto que faz da beleza das árvores a sua atracção turística. O Zito conhece a Mata dos Medos como ninguém e foi o nosso guia neste trilho pedestre. Cada árvore que encontramos neste percurso pedestre é-nos apresentada. Ele batizou cada uma delas de acordo com as suas características- a Sereia, a bailarina, a Mãe. É impressionante os pormenores que nos escapam à primeira vista, porque não olhamos profundamente para estes seres, que acabam por nos proteger das agressividades de estarmos perto do mar e acabam por ser um pulmão junto à praia.
E, de repente, quando termina a Arriba tem-se provavelmente a melhor vista que se pode alcançar neste trilho pedestre - o mar da Fonte da Telha. É de cortar a respiração.
Ainda não refeitas do deslumbramento da vista regressamos à mata e é aí que conhecemos o "pequeno bosque encantado" - um local que parece isso mesmo - um bosque encantado - mais um batismo do Zito, que faz jus ao nome. Dá-nos mesmo a sensação que estamos numa história e deu-nos uma enorme vontade de trazer as nossas princesas para ali.
Também tivemos tempo para encontrar um lago com sapinhos. É incrível a diversidade de ambientes que a mãe natureza apresenta! Não sabemos se algum dos sapos será um príncipe encantado. É o que desta história fica para descobrir.
Nós aqui, agradecemos ao nosso "guia turístico" por nos dar a conhecer mais uma pequena maravilha da nossa margem sul.
Não há dúvida, a Fonte da Telha é muito mais do que praia.
Nós aqui temos a Fonte da Telha.
Nós aqui temos isto.
Fotografias Zito Colaço
domingo, 24 de abril de 2016
Livro I LOVE TREES de Zito Colaço - Procura editora.
Grandes, pequenas, formosas, circunspectas, imponentes ou frágeis. Dão, sem pedir nada. E são, simplesmente. Respiram, respiram-nos e fazem respirar. Amam, amam-nos e fazem-nos amar. Conta-se que um jovem cavaleiro cansado de travar batalhas infindáveis e de desfecho previsível refugiava-se na floresta. As árvores e as pedras ouviam-no pacientemente e um dia decidiram falar-lhe. Amai-vos uns aos Outros Como Nós Vos Amamos. Tomado de assalto pela revelação, o cavaleiro decidiu ali mesmo abandonar a carreira militar e dedicar-se a uma vida nova de aprendizagem com aquelas árvores e pedras sagradas. Estamos certos de que todos teremos muito a aprender com o mistério das Árvores e das Pedras de Portugal. A nossa mensagem também é simples. Amar-vores uns aos Outros Como Elas vos Amam. Parece fácil. E é.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Porque tudo tem um princípio.
Há mais de dez anos, nascia na Mata dos Medos, na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica o Love Trees Project com o intuito de sensibilizar e alertar a população para a defesa do ambiente.
Porque tudo tem um meio foram mais de dez anos de dedicação a uma causa, com muito trabalho no terreno. Acções de formação, cursos, workshop´s, conferências, debates, caminhadas, exposições e uma atênção especial para as vertentes didáctica e pedagógica através da sensibilização ambiental de professores e turmas dos ensinos preparatório e secundário, bem como alunos com dificuldades especiais. Neste período de tempo, houve também um amplo diálogo com o meio académico e científico, tendo sido constante a colaboração com o ICNF e a presença de biólogos, etólogos e antropólogos nas nossas actividades. No ano passado, a simbolizar estes mais de dez anos de trabalho e dedicação, o fotógrafo Zito Colaço, mentor do projecto, lançou o livro Árvores e Pedras de Portugal, um registo fotográfico e artístico, mas também patrimonial, inédito no nosso território.
Porque tudo tem um fim o Love Trees Project despede-se, assim, por agora de todos, e foram muitos, os que a nível institucional ou a título individual colaboraram connosco. E de quem, e também foram muitos, seguiu e participou nas nossas iniciativas.
Porque tudo tem um princípio, um meio e um fim, o Love Trees Project, diz ´até já ´ mas só para dar lugar a um espécime da mesma família, ainda que com cor, textura e ramificações próprias, o I Love Trees Portugal. Porquê? Porque o fim é sempre o princípio de um novo ciclo.
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