quarta-feira, 27 de setembro de 2023

"Campo Branco".

Campo Branco”, nas longas e extensas planícies do Baixo Alentejo. 

Terra chã de relevo suave, onde a vista se perde até ao horizonte, é detentora de uma grande diversidade de valores naturais e culturais, únicos e de elevado interesse regional, nacional e internacional.

A exploração da terra em Castro Verde esteve desde sempre associada à criação de gado ovino e mais tarde ao cultivo de cereais de sequeiro. Aqui a agricultura e a pastorícia coexistem desde há muito tempo, tendo moldado uma paisagem de rara beleza e de alto valor de conservação: as estepes cerealíferas.

Entre a biodiversidade extraordinária que aqui ocorre, sobressai uma comunidade de aves com cerca de 200 espécies, onde se destacam a Abetarda e as aves de rapina, como a Águia-imperial-ibérica. 

A Reserva da Biosfera de Castro Verde tem um caráter rural, que se reflete nas tradições culturais e nos costumes que, ainda hoje, marcam a identidade das gentes deste território.

Com um património histórico e cultural em que pontifica a Basílica Real de Castro Verde, monumento maior do concelho e um dos mais imponentes do sul do país, que recorda a Batalha de Ourique e a importância de Castro Verde na história fundacional do país, e a impressionante coleção de lucernas romanas visível no Museu da Lucerna, este é também um território de tradições vivas, terra de Cante e da Viola Campaniça, e de gastronomia rica, em que sobressai o saber fazer de homens e mulheres e a excelência da qualidade dos seus produtos.











 Fotografias Zito Colaço

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Instalação "Viver", na Mata dos Medos


Instalação "Viver", na Mata dos Medos
A Linha da Tia






 Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos, parte integrante da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, Portugal

Fotografias Zito Colaço

terça-feira, 25 de julho de 2023

Pinhal do Rei ou Mata dos Medos da Caparica

No reinado de D. João V (1706-1750) foi mandada semear, no topo da arriba, zona relativamente plana, a atualmente denominada Mata dos Medos ou pinhal do Rei com o objetivo de proteger a área agrícola interior da progressiva invasão dos medos (lê-se "médus") ou dunas. Classificada como Reserva Botânica em 1971, a mata estende-se por cerca de 5 km entre a Descida das Vacas e a Fonte da Telha ocupando uma superfície de 340 ha, nela se podendo observar belos exemplares de pinheiro-manso e de sabina-da-praia, que ali adquire porte arbóreo. No estrato arbustivo evidenciam-se a sabina da praia, a aroeira, o medronheiro e o carrasco. Alberga 3 endemismos lusitânicos (espécies que apenas existem naturalmente em Portugal continental) e 12 espécies endémicas da Península Ibérica. 

Implantada em dunas interiores de constituição antiga, a sua altitude varia entre os 60 m (na crista da arriba) e os 110 m (cabo da Malha).




A Mata dos Medos situa-se na plataforma superior da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, nos concelhos de Almada e Sesimbra, ocupando uma faixa de 5 km ao longo da costa ocidental da península de Setúbal, perfazendo uma superfície de 338 hectares.

Terá sido mandada instalar pelo rei D. João V, entre 1689 e 1750, para impedir o avanço das dunas ou medos1 para as terras agrícolas. É atualmente o grande pulmão do concelho de Almada.

Foi classificada como Reserva Botânica em 1971, pelo decreto-lei n.º 444 771 de 23 de outubro, devido à riqueza florística apresentada. A mata apresenta grande riqueza e diversidade de espécies características do ecossistema de pinhal.

Estão assinalados três endemismos lusitânicos e quinze ibéricos de elevado valor botânico.

É uma extensa área de pinhal, com pinheiros centenários e uma reserva botânica com espécies autóctones. O rosmaninho, a aroeira, a sabina-da-praia e o tomilho são alguns dos exemplares da flora que podemos facilmente encontrar.

Na fauna ainda existente, apesar da forte pressão urbanística, persistem algumas rapinas como a águia-de-asa-redonda, o açor, o peneireiro-cinzento e o peneireiro vulgar, bem como alguns exemplares noturnos, como o mocho-galego e a coruja das torres. A lebre, o ouriço-cacheiro, a toupeira e ainda a raposa, o toirão, a geneta e o gato-bravo completam a lista da avifauna presente no maciço verde.

Algumas espécies de aves migratórias escolhem também a Mata dos Medos para nidificação. Durante todo o ano residem no pinhal o pica-pau-malhado-grande, a alvéola-branca, a poupa, o cuco, o pintassilgo, o pisco-de-peito-ruivo, o melro, a perdiz-comum, a pega-rabuda e a gralha.

Os anfíbios e os répteis estão também bem representados neste ecossistema costeiro.

Na Mata dos Medos, como em muitas zonas protegidas de elevado interesse ambiental, estão previstos projetos que são alvo de várias críticas por parte de organizações ambientalistas do nosso país. Estas são zonas muito sensíveis que devem ser protegidas, as intervenções nelas realizadas têm de ser bem ponderadas, estudadas e avaliadas, sobrepondo-se a quaisquer interesses economicistas.

O investimento em programas de sensibilização da população permanente e sazonal deverá ser uma prioridade, para que se atribua mais valor à riqueza intrínseca que estas zonas representam. A Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica é visitada anualmente por centenas de milhares de pessoas, principalmente na época estival, na procura da orla marítima e do usufruto das matas nacionais.
















 Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos parte integrante da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica

Fotografias Zito Colaço

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

PAREIDOLIA - 20 ANOS

O trabalho de Zito Colaço é uma intersecção fascinante entre a fotografia de natureza, a antropologia visual e a psicologia da perceção. O seu projeto focado em árvores é, talvez, a expressão mais pura de como o olhar humano tenta encontrar ordem e familiaridade no "caos" orgânico da floresta.

Para entender o trabalho de Zito Colaço, é preciso primeiro definir o fenómeno que ele explora: a pareidolia. Trata-se de um fenómeno psicológico onde o cérebro interpreta estímulos visuais vagos ou aleatórios como formas familiares, geralmente rostos ou figuras humanas/animais.

No contexto das árvores, Zito Colaço não se limita a registar a flora; ele procura "personalidades" esculpidas pelo tempo, pelo clima e pelo crescimento biológico.

O fotógrafo olha para os troncos, raízes e ramos não apenas como elementos botânicos, mas como esculturas dinâmicas. O seu trabalho destaca:

O detalhe das cascas que se assemelham a peles rugosas ou tecidos.

Antropomorfismo: A descoberta de braços que se elevam, torsos que se contorcem e, sobretudo, feições que parecem observar o espectador.

Espírito do Lugar (Genius Loci): As suas fotografias evocam frequentemente uma sensação de que a floresta é um lugar habitado por entidades ou guardiões silenciosos.

Zito Colaço utiliza frequentemente o preto e branco ou tonalidades de cor muito específicas para acentuar o contraste e as sombras. Esta escolha técnica é estratégica:

Ao remover a distração das cores vibrantes da folhagem, o foco recai totalmente sobre a forma e o volume.

O jogo de luz e sombra é o que permite que a pareidolia se manifeste com mais força, revelando profundidades que o olho comum, numa caminhada apressada, ignoraria.

O seu trabalho estabelece uma ponte entre o real e o imaginário. Ao revelar estas figuras "escondidas", Zito Colaço convida-nos a repensar a nossa relação com a natureza.Se a árvore tem um "rosto", torna-se mais difícil vê-la apenas como um recurso ou um objecto inanimado.

Exercitar a contemplação: A sua fotografia exige lentidão. É um exercício de paciência e de apuramento do olhar.

"As árvores de Zito Colaço deixam de ser paisagem para passarem a ser interlocutores."

O registo de pareidolia deste fotógrafo é um lembrete de que a beleza e o mistério não estão apenas no que vemos, mas na forma como decidimos interpretar o mundo ao nosso redor.


Pareidolia

A pareidolia é um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma. Pareidolia é um tipo de apofenia. Em situações simples e ordinárias, este fenômeno fornece explicações para muitas ilusões criadas pelo cérebro, por exemplo, discos voadores, monstros, fantasmas, mensagens gravadas ao contrário em músicas entre outros. O fenômeno psíquico, diante de uma figura com dados aleatórios, pode variar segundo o ângulo do observador. Para uma criança, por exemplo, uma figura notada talvez possua formas que tragam à lembrança animais de estimação, personagens de desenhos animados ou qualquer outra coisa condizente com a faixa etária de compreensão sobre coisas. Para uma pessoa com uma faixa etária superior, a mesma figura assume formas diferentes conforme a capacidade criativa de associação de formas. Apesar de essa figura não ser de um rosto real, muitas pessoas podem identificar a semelhança com um. Dependendo das figuras observadas, podem assumir um aspecto muito subjetivo que varia de observador para observador ao passo que outras mais claramente nítidas, possuem uma mesma interpretação óptica em comum entre vários observadores. Portanto, muito tem que ver com a condição psicológica de cada observador, do que se passa em sua mente. O astrônomo Carl Sagan aventou uma explicação no livro O Mundo Assombrado pelos Demônios: “ Os humanos, como outros primatas, são um bando gregário. Gostamos da companhia uns dos outros. Somos mamíferos, e o cuidado dos pais com o filho é essencial para a continuação das linhas hereditárias. Os pais sorriem para a criança, a criança retribui o sorriso, e com isso se forja ou se fortalece um laço. Assim que o bebê consegue ver, ele reconhece faces, e sabemos agora que essa habilidade está instalada permanentemente em nossos cérebros. Os bebês que há 1 milhão de anos eram incapazes de reconhecer um rosto retribuíam menos sorrisos, eram menos inclinados a conquistar o coração dos pais e tinham menos chance de sobreviver. Nos dias de hoje, quase todos os bebês identificam rapidamente uma face humana e respondem com um sorriso bobo. Como um efeito colateral inadvertido, o mecanismo de reconhecimento de padrões em nossos cérebros é tão eficiente em descobrir uma face em meio a muitos outros pormenores que às vezes vemos faces onde elas não existem. Reunimos pedaços desconectados de luz e sombra, e inconscientemente tentamos ver uma face. ” Muitos concordam com Sagan quanto a tendência de reconhecer faces, mas muitos discordam quanto às alegadas vantagens evolutivas para a sobrevivência da criança. A pareidolia não representa somente fenômenos visuais mas também auditivos onde pessoas executam músicas no sentido contrário e ouvem palavras ou até mesmo frases inteiras. Apesar de existir uma técnica sonora de mascarar mensagens sobre uma gravação (conhecida como Backmasking), é comum muitos entenderem frases ou palavras onde só há um ruído incoerente. Recentemente ocorreu um típico caso de pareidolia na Universidade Queen, em Ontário, Canadá, onde médicos viram rosto humano num ultrassom de tumor.










































 Fotografias Zito Colaço