quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Zito Colaço, na Floresta, com a criançada, à Caça do Tesouro.


Onde o Tesouro é a Própria Vida


Na floresta do Zito, o silêncio não é ausência de som, mas sim uma linguagem que as crianças aprendem a decifrar. Sob a copa das árvores, o tempo abranda. Ali, o Zito não é apenas um guia; é um guardião de histórias que ensina aos mais pequenos que a natureza não é um lugar que se visita, é a nossa casa.


A "caça ao tesouro" começa com o primeiro estalar de ramos sob as botas. Mas, nesta aventura, as moedas de ouro são substituídas por descobertas muito mais valiosas, O brilho do orvalho numa folha de carvalho, O desenho misterioso da casca de um sobreiro, O perfume da terra húmida que guarda as raízes do futuro.


As crianças correm, mas param quando o Zito aponta para o alto. Ele ensina-as a ver o que está invisível aos olhos apressados da cidade. Cada árvore do amor que encontram pelo caminho é um símbolo de resistência e de afeto, uma lição viva de que cuidar da floresta é, no fundo, cuidar de nós mesmos.


Neste passeio, o verdadeiro tesouro não está escondido no final do trilho. Ele revela-se no brilho dos olhos das crianças, na sujidade feliz das mãos que tocam a terra e na certeza de que, enquanto houver quem leve os mais novos pela mão até ao coração do bosque, a floresta continuará a bater forte dentro de todos nós.











segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

"CAPRITTUS" - Instalação e Fotografias de Zito Colaço


LENDA DOS CABRAIS 

BELMONTE


Conta-se que um pastor da zona da Serra da Estrela, ouviu em sonhos três noites seguidas; “Vai a Belém e lá encontrarás o teu bem.” 

Partiu, e quando chegou a Belém, passaram três dias e não encontrava o seu bem. Tomou o caminho de regresso e encontrou um almocreve. O pastor contou-lhe o que se tinha passado, ao que o almocreve respondeu que também tinha sonhado uma coisa parecida; que no sítio de Belmonte, debaixo da penha onde uma cabra amarela e a sua cria, se encontrava uma cabra e um cabrito de ouro. 

O pastor quando chegou a Belmonte removeu um barraco, onde encontrou uma cabra e um cabrito de ouro. Decidiu ir entregar uma das peças ao Rei, dizendo-lhe que tinha uma cabra ou um cabrito para lhe oferecer, qual deles ele preferia. 

O monarca disse que queria o cabrito, que sempre era mais tenro. O pastor ofereceu-lhe o cabrito, ao ver que era de ouro, o Rei disse que se soubesse que era de ouro, tinha escolhido a cabra. 

O pastor ofereceu-lhe também a cabra, contando como tinha encontrado essas oferendas. Como recompensa, o Rei disse ao pastor que subisse ao monte onde encontrou o tesouro, e que lhe oferecia todas as terras que percorresse a cavalo num dia, desde aí”. 

Assim se formou o poderio dos Cabrais, e assim se explicam as duas cabras passantes do seu brasão.





O Cabrito 

Povoaste a paisagem grega, guardas um timbre clássico algo de conciso

Ágil e jovem — quem negaria? — basta ver-te sobre os abismos

sem receio ou vertigem, como a vida.

José Paulo Moreira da Fonseca


 "CAPRITTUS"

Instalação e Fotografias de Zito Colaço
2025

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O Caminho das Oliveiras Milenares da Horta da Moura











HORTA DA MOURA

Deixe-se seduzir

Deixe-se seduzir pelos horizontes largos do Alentejo Interior, onde a tranquilidade da paisagem se funde com o Alqueva.

Num cenário de beleza serena, entre oliveiras milenares, caminhos de sombra e recantos que convidam à contemplação, a Horta da Moura revela-se como um refúgio autêntico.

Aqui, o tempo abranda e os sentidos despertam.

Venha descobrir, saborear e ficar.

E verá como será sempre fácil voltar.

https://www.hortadamoura.com/


 Fotografias Zito Colaço

2014

sábado, 1 de novembro de 2025

A Serpente e a Figueira dos Amores

Figueira dos Amores

Eleita Árvore Portuguesa do Ano 2025, a Figueira dos Amores é uma das exóticas gigantes que se ergue no Jardim da Quinta das Lágrimas, em Coimbra. A sua história terá começado em meados do século XIX, a partir de uma semente vinda da Austrália, um dos países de onde a espécie Ficus macrophylla é nativa.

A história da Quinta das Lágrimas começa muito antes da Figueira dos Amores ter sido plantada. Remonta ao século XIV e o documento mais antigo que se conhece sobre ela data de 1326.

Foi nesse ano que a Rainha Santa Isabel, mulher de D. Dinis, mandou criar um canal para encaminhar a água de duas nascentes para o Convento de Santa Clara. Ao local de onde água brotava deste canal, chamaram depois “Fonte dos Amores”. Conta-se que este nome lhe foi dado por ser junto a esta fonte que o infante D. Pedro e Inês de Castro (aia da mulher do infante, D. Constança) se encontravam secretamente, consolidando um amor proibido que levou, mais tarde, ao assassinato de Inês.


Ao longo dos séculos, os jardins da Quinta das Lágrimas foram-se ampliando e acolhendo novas espécies. Por exemplo, em 1813, o Duque de Wellington, que ajudara Portugal a travar o avanço das tropas de Napoleão, visitou a quinta e, para assinalar o momento, foram plantadas duas sequoias.

Em meados do mesmo século, o filho do dono da Quinta, Miguel Osório Cabral de Castro, mandou construir um “jardim romântico”, com lagos e árvores exóticas e raras, que o microclima húmido desta zona fez prosperar. Mais tarde, o sobrinho D. Duarte de Alarcão Velasquez Sarmento Osório, mandou construir junto à saída de água mandada fazer pela Rainha Santa Isabel uma porta em arco e uma janela neogóticas.

Terá sido por meados do século XIX, numa troca de sementes com o Jardim Botânico de Sidney, na Austrália, que a Figueira dos Amores teve a sua origem, crescendo próxima da Fonte dos Amores e não longe da porta e janela neogóticas.

Muitas outras espécies vindas das mais variadas partes do mundo fazem-lhe companhia no Jardim da Quinta das Lágrimas.

Algumas gigantes ultrapassam-na em altura, como acontece com várias espécies de Araucaria, incluindo uma também australiana – a Araucaria bidwillii, e uma Sequoia sempervirens. Outras, embora menos imponentes em dimensão, impressionam pela beleza da sua floração e pelas nuances de cor que as suas folhas imprimem à paisagem nas diferentes estações do ano. É o caso da Árvore-de-Júpiter (Lagerstroemia indica), do Ginkgo biloba, da magnólia-japonesa (Magnolia x soulangiana) ou do tulipeiro-da-Virgínia (Liriodendron tulipifera).


 A Figueira dos Amores foi eleita como Árvore do Ano 2025, no Concurso realizado em Portugal, com 2713 votos. A candidatura foi feita pela Fundação Inês de Castro. No concurso europeu “Tree of the Year 2025” arrecadou o segundo lugar.

Fotografias Zito Colaço

Árvores do Amor - As Árvores Misteriosas de Portugal

2012

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Oliveira do Mouchão: a árvore mais antiga de Portugal


Oliveira do Mouchão: a árvore mais antiga de Portugal

  A oliveira mais velha de Portugal é a Oliveira do Mouchão, localizada nas proximidades de Mouriscas, Abrantes, com cerca de 3.350 anos. A sua idade foi certificada pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) utilizando um método científico para estimar a idade da árvore. Apesar da sua idade avançada, a árvore continua a produzir azeitonas e é um símbolo cultural da região. 





Nome: Oliveira do Mouchão

Idade: Aproximadamente 3.350 anos

Localização: Perto da vila de Mouriscas, no concelho de Abrantes

Certificação: A idade foi certificada pela UTAD

Características: Tem mais de três metros de altura e um perímetro de tronco de cerca de 6,5 metros.
Status: Classificada como Arvoredo de Interesse Público e Árvore Monumental de Portugal.


Fotografias Zito Colaço

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

"Se esta rua fosse minha"...

 
Se esta rua fosse minha

Eu mandava a ladrilhar

Com pedrinhas de brilhantes

Para o meu amor passar

Nesta rua tem um bosque

Que se chama solidão

Dentro dele mora um anjo

Que roubou meu coração

Se eu roubei teu coração

É porque te quero bem

Se eu roubei teu coração

É porque

Tu roubaste o meu também





A versão original de "Se essa rua fosse minha" não tem um autor conhecido, sendo uma cantiga popular de origem incerta, possivelmente do século XIX em Portugal, que se espalhou pelo Brasil. 
No entanto, a melodia foi popularizada e adaptada por compositores como Heitor Villa-Lobos, que a usou em "Cirandinhas" em 1926. 

Posteriormente, Mário Lago e Roberto Martins criaram uma versão em samba-canção nos anos 30.



Instalações e Fotografias de Zito Colaço