domingo, 23 de abril de 2017

Fonte Fria e Brazalite - No topo de Pitões das Júnias

Fonte Fria e Brazalite - No topo de Pitões das Júnias  Quando a Primavera atiça o trilho a arrebatar a sola das nossas botas de caminhada, o processo torna-se irreversível. Como é sabido, Pitões das Júnias é um Paraíso de cortar a respiração. Entrando no Carvalhal caímos como de um abismo da alma para um mundo alternativo, completamente isolado da realidade e da população, coberto com um manto de paz e felicidade pura. O percurso tem personalidade forte e emoções próprias, contagiantes, desenvolvendo em nós, e de forma simultânea, o instinto de sobrevivência e o princípio de prazer, criando uma sinergia de encantamento e superação a cada passo, sofrido e saboreado, rumo ao topo daquele mundo mágico. As cores, as pedras, as árvores, os aromas, a luz, o calor, as cabras-montês que, saltitantes, nos mostraram o caminho para a Fonte Fria, são de uma genuinidade e carisma fascinantes, onde o sentimento de pertença ao universo natural faz transbordar em nós um estado de paixão profunda pelo percurso, pelos trilhos reconhecíveis e pelos caminhos que criámos na selva de vegetação selvagem rumo ao nosso destino. Uma aventura marcante, vivida de forma muito intensa, pintada a verde e rosa, entre as várias fragas de Pitões, outeiros, prados, riachos, subidas imponentes e descidas vertiginosas, nestes 17,5 km o rondar a fronteira entre a alma lusitana e espírito galego. Foi com o coração ao rubro que privámos das paisagens de sonho recortadas no perfil de cada rochedo, com a capela de são João da Fraga a acenar ao longe, enquanto se fez perto a distância da Brasalite e da Fonte Fria, com o panorama indescritível com a beleza agridoce típica da zono barrosã.
Texto Ana Carina Sanches
Fotografias Zito Colaço
Pitões das Júnias
Outeiro do Grosal

Fraga de Brazalite e Pico da Carvalhosa

Pico da Carvalhosa








Pico da Fonte Fria
Fonte Fria e Cabras-montês em baixo






Cabra-montês


Fraga de São João ao centro e Roca Sendeia à direita
Roca Sendeia
Coto da Fonte Fria e Espanha ao fundo
Pico Fonte Fria vista de Espanha, Pitões das Júnias ao fundo à direita
Caminhada com Extensão e Duração de   -    17.5 Km - 6:00 Horas

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Capela de São João da Fraga - Mistérios de Pitões das Júnias

 Capela de São João da Fraga – Mistérios de Pitões das Júnias
 Era uma vez uma capela mágica no topo de uma fraga com mais de 1100 metros. É misteriosa e ninguém conhece a sua origem ou história. No seu interior permanece a pequena imagem de São João, e em nome dele os aldeões de Pitões das Júnias rumam serra acima todos os anos, num dos percursos mais ingremes e mais emblemáticos da região. O Carvalhal do Teixo acalma as dores da viagem, e a Primavera ajuda a recuperar todas as energias numa paisagem soberana e florida. Mantemos os olhos presos nas outras fragas de Pitões, os animais convivem pacificamente com a nossa passagem, e o prazer de estar inserido naquele enquadramento da Natureza é de um valor inestimável. Tudo é de uma magnitude celestial, o esforço e o prazer, a dureza e a beleza de cada passo, o equilíbrio perfeito de energias, um yin-yang poderoso que nos conduz num movimento que flui e que respira de pulmões bem abertos a alegria intensa de explorar o melhor de Portugal, e de nós mesmos.
Texto Ana Carina Sanches
Fotografias Zito Colaço
Em cima: Capela de São João da Fraga
 Subida para a Portela da Lage
 Mariola
 Ribeiro

 Carvalhal do Teixo



 Ao fundo do lado esquerdo: Fonte Fria e Roca Sendeia. Fraga da Brazalite à direita
 Ao fundo: Pitões das Júnias





 Capela de São João da Fraga
 Fojo do Lobo

Pinheiros Rastejantes - Árvores Imaculadas

 Pinheiros rastejantes – árvores imaculadas
 Em São Pedro de Moel encontrámos pedaços de céu espelhados na mata em frente ao mar. Caíram na terra fértil como raios enfeitiçados de carisma e decididos a permanecer iguais na destreza de serem tão diferentes e especiais. Perfeitas obras de arte esculpidas pelo vento, caprichos da Natureza que nos ensina o significado da resiliência no mundo selvagem. Representam de forma singular a beleza da garra pela sobrevivência, a luta com o lado feroz e violento da ação das tempestades marítimas, onde os pinheiros se vergam, rastejam, enrolam, contorcem, mas resistem. São pinheiros guerreiros, que de mansos se transformaram em lendas, de alma imaculada, para protegerem os seus parceiros, das marés cruéis da vida. São os da linha da frente, verdadeiros soldados da paz, de coragem pendurada no rosto, dando sempre a outra face ao infortúnio, para defender o seu território, a sua honra, a sua espécie e a sua história. Deve ser em honra destes heróis, que as lágrimas são salgadas.
Texto Ana Carina Sanches
Fotografias Zito Colaço